5ª edição

O Livro

BREVE SINOPSE DAS ABORDAGENS PELOS AUTORES

As leituras da “Retratos” – o que dizem os autores

Introdução – em O retrato do comentário leitor do brasileiro, Zoara Failla, organizadora dessa obra, traz sua análise sobre a série histórica, os principais resultados da pesquisa e os desafios para melhorar esses indicadores, dialogando com os demais autores

Em Leitura, educação e objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) – Maria Rebeca Otero Gomes e Célio da Cunha, da UNESCO – destacam a urgência em melhorar os indicadores de leitura como condição imprescindível para a construção do desenvolvimento social, humano e cultural sustentável de nossa sociedade. Eles buscam Rouanet para entender o desinteresse pela leitura atribuída à crise da cultura promovida pelas redes sociais ou pela “ planetarização

Ana Lucia Lima , coordenadora da pesquisa INAF-Índice de Analfabetismo Funcional, em O analfabetismo funcional e os não leitores – aceitou nosso convite para um diálogo entre as duas pesquisas: Retratos e INAF. Ana entende que, os desafios para o letramento, apontados pelo INAF, podem explicar os hábitos de leitura de livros e os não leitores, segundo a Retratos.

A boa surpresa da 5ª edição da Retratos foi a elevação no percentual de leitores de 5 a 10 anos, mas o que instiga é a queda no percentual de leitores que inicia após os 10 anos e se acentua após os 14 anos. Rita Jover-Faleiros , que esses estudos na UFSP, nos ajuda a entendre “ Por que perdemos e onde estão os leitores que perdemos pelo caminho ”.

Idmea Semeghini-Siqueira, em: “O encantamento das crianças pelos livros e pela leitura nas famílias e nas escolas: letramento emergente e alfabetização” – analisa os dados da pesquisa sob a ótica de sua tese (USP), de que o encantamento pela leitura e a iniciação para a formação do leitor devem iniciar enquanto criança e na educação infantil. Defende a urgência na instalação de Salas Multi-linguagem, com recursos do FUNDEB, em especial, para atender a crianças de famílias mais vulneráveis.

Maria das Graças Monteiro Castro, da UFGO, em Bibliotecas Escolares – livros nas estantes ou leituras que conquistam leitores e promovem aprendizagem? – analisou como os brasileiros e os estudantes que pesquisaram à pesquisa, avaliam e percebem as bibliotecas. Graça trouxe, também, sua leitura sobre dados da “Retratos da Leitura em bibliotecas escolares” (IPL -2019), para defender que, para ser um espaço formativo do leitor, uma biblioteca escolar deve estar vinculada ao pedagógico da escola e que é imprescindível a formação de mediadores de leitura (professores, bibliotecários) e a constituição de acervos – literário e informativo.

Rodrigo Lacerda foi convidado a revelar sua trajetória leitora e, nesse percurso, apresentar em Trajetórias leitoras na formação de um autor , aquelas leituras e autores (“poderosos”) que despertam a vontade de “imitar” ou de “botar pra fora” experiencias e que têm o poder de transformar um leitor em um autor. Ele revela também, já como escritor, que continua buscando amar e vasculhar centenas de autores. Nesse relato, traz importante “dica” para mediadores e para aqueles que sonham descobrir como formar leitores.

Por onde andará a literatura infantil e juvenil brasileira? Pergunta João Luís Ceccantini (UNESP) – ao analisar uma lista de autores e obras citadas como lidas, denunciando a ausência de autores nacionais consagrados como Lygia Bojunga, Marina Colasanti, Ziraldo, Ricardo Azevedo, João Carlos Marinho e apresenta nos acervos a um grupo de escolares de todo o país. Para ele, essa constatação, revelação de urgência de políticas e ações mais efetivas para garantir a mediação de leitura e a formação de mediadores (professores, bibliotecários e agentes).

 Em “ Pra que ficção, pra que utopia? Ricardo Azevedo nos leva a percorrer poesias para mostrar a importância da literatura e da ficção na formação do jovem. Defende a literatura que “trabalhe as semelhanças / identidade entre as pessoas”. Para ele “a criação da utopia depende da capacidade de criação das pessoas e essa capacidade tem a ver, entre outras coisas, com uma ficção: a arte de imaginar o que não existe, mas poderia existir”. Portanto, não depende de idade e é fundamental para que a jovem experimente emoções ou imagine as hipóteses que ainda não viveu.

Mariana Bueno , responsável pela pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, aponta sinergias entre essa pesquisa e o que diz a Retratos sobre os consumidores de livros. Em A demanda por livro: dois lados de uma mesma moeda , Mariana destaca o aumento do uso do tempo livre nas redes sociais, revelado por essa edição, e seu impacto no consumo de livros. Deixa dicas para a cadeia produtiva: se os leitores da literatura leem e consomem livros cinco vezes mais do que os demais brasileiros leitores, parece ser estratégico investir no incentivo à leitura de literatura para “gerar um incremento positivo na demanda por livros”; e, incrementar “pleitos” que promovam políticas públicas voltadas à formação de uma população leitora.

Fabio Malini , em: A plataformização da leitura e redes sociais: impactos no consumo de livros , encontra “achados” na pesquisa, como a ampliação do percentual que citam o autor como fator de escolha e do livro, que, para ele , aponta para uma “mutação” na ideia de público leitor para “amigo seguidor”. O interesse é despertado não pela obra ou tema, mas pela identificação e “proximidade” que esse “leitor” interesse com esse autor nas redes e mídias sociais. Malini, identifique, também, o interesse por temas “plataformizados” e a preferência por textos mais ligeiros, como o conto e a poesia.

José Castilho Marques Neto , o “pai do PNLL”, traz seu notório conhecimento para, em: Retratos da Leitura no Brasil e as Políticas Públicas do Livro e Leitura, análise a redução nenhum percentual do leitor entre 2015 e 2019. Para ele, essa redução reflete a escala do “desmonte” das políticas públicas do livro e leitura e revelação um “projeto” que vai minando o valor simbólico do livro e o direito à leitura e à literatura. Defende as responsabilidades do Estado na garantia dos direitos básicos, pois, somente, o poder público, tem a possibilidade de oferecer programas para atingir a maioria da população. Mesmo reconhecendo a importância das associações não governamentais e outros entes da sociedade civil, em especial, em momentos de “desmonte” como o atual, acredita que só alcançaremos um Brasil de leitores se houver uma forte política pública ”.