Formar leitores começa pela formação de quem ensina: movimento defende Literatura Infantil e Juvenil na graduação

Carta construída durante o I Colóquio Nacional de Literatura Infantil/Juvenil na Graduação mobiliza professores, pesquisadores, estudantes e profissionais pela ampliação do espaço da LIJ na formação universitária.

A formação de leitores começa muito antes do encontro entre uma criança e um livro. Passa também pela formação dos professores, mediadores de leitura e demais profissionais que estarão presentes ao longo de sua trajetória leitora. É a partir dessa perspectiva que ganha força um movimento nacional pela presença da Literatura Infantil e Juvenil (LIJ) nos currículos de graduação.

A mobilização é resultado do I Colóquio Nacional de Literatura Infantil/Juvenil na Graduação – I CoNLIJ: Paisagens e Horizontes, realizado de forma remota entre os dias 26 e 28 de maio de 2026. Sediado pela UERJ, UFF e Unesp, o encontro reuniu pesquisadores e profissionais de áreas como Letras, Pedagogia, Biblioteconomia, Produção Editorial, Artes e História para discutir a presença da Literatura Infantil e Juvenil na formação superior brasileira.

Os debates realizados durante o Colóquio resultaram na Carta dos Participantes à Comunidade Acadêmica e Civil, inicialmente assinada por 91 professores e pesquisadores de diferentes regiões do país. Entre as principais questões identificadas está a ausência da disciplina de Literatura Infantil e Juvenil em muitos cursos de Letras, Pedagogia e Biblioteconomia, ou sua presença ainda reduzida e, em alguns casos, diluída em outros componentes curriculares.

O documento chama atenção para os impactos dessa lacuna na formação de competências relacionadas ao letramento literário, à mediação de leitura, à construção de repertório estético e ao conhecimento de aspectos específicos da literatura destinada a crianças e jovens.

Da Carta a um movimento nacional

A repercussão da iniciativa levou à criação do Manifesto de Endosso à Carta do I CoNLIJ, permitindo que outras pessoas também manifestassem apoio à causa.

O Manifesto reforça a defesa de que futuros professores e demais profissionais tenham acesso, ainda durante sua formação universitária, ao conhecimento sobre a literatura para crianças e jovens.

A proposta defendida na Carta é que a Literatura Infantil e Juvenil tenha presença obrigatória nas grades curriculares e esteja inserida em estruturas institucionais capazes de garantir sua continuidade em licenciaturas e bacharelados relacionados ao campo.

A mobilização já reúne mais de 1,8 mil adesões. Em registro do Manifesto consultado em 8 de setembro, eram contabilizadas 1.848 assinaturas.

Uma pauta que chega a novas instâncias

A coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, Zoara Failla, que participou como palestrante do I CoNLIJ, apresentando análise de dados da 6ª edição da pesquisa sobre a leitura entre crianças e jovens e o comportamento leitor de professores, tem buscado ampliar esse debate e se juntou a esse movimento.

Durante o lançamento do Anuário da Abrelivros 2026, realizado na Bienal do Livro, Zoara conversou com participantes do evento para divulgar a iniciativa e compartilhou a Carta, o Manifesto e documentos que subsidiaram os debates realizados no Colóquio.

O movimento entra, assim, em uma nova etapa de mobilização, buscando ampliar o diálogo com universidades, reitorias e outras instâncias ligadas à educação e à formação de professores.

Formação de professores e formação de leitores caminham juntas

Para o Instituto Pró-Livro, trazer essa discussão para o debate público significa também reforçar uma questão essencial: não é possível pensar políticas consistentes de formação de leitores sem olhar para a formação daqueles que despertam nas crianças e jovens o interesse pela literatura. 

A Carta, endossada por docentes de todas as regiões do Brasil, destaca que a formação literária dos profissionais está diretamente relacionada à qualidade das experiências de leitura que poderão proporcionar posteriormente aos alunos e leitores.

Nesse sentido, ampliar o espaço dedicado à Literatura Infantil e Juvenil na universidade, significa fortalecer o repertório, a capacidade de mediação e a formação literária de profissionais que terão papel fundamental na construção de novas gerações de leitores.

O Manifesto continua aberto a novas adesões. Conhecer a Carta, apoiar a iniciativa e ampliar essa conversa são formas de contribuir para que a formação de leitores também ocupe um lugar estratégico na formação dos professores.